“Por que os ímpios vivem e envelhecem, e ainda se tornam mais poderosos?”
— Jó 21:7 (Almeida Atualizada Livre)
1Então, Jó respondeu e falou:
2Ouçam atentamente as minhas razões, pois isso já lhes será uma consolação.
3Tolerem-me e eu falarei; e, depois que eu tiver falado, poderão zombar.
4Por acaso eu me queixo de alguém? Não tenho motivos para me impacientar?
5Olhem para mim e fiquem atônitos; coloquem a mão sobre a boca.
6Porque, ao lembrar-me disso, me perturbo, e um calafrio se apodera de toda a minha carne.
7Por que os ímpios vivem e envelhecem, e ainda se tornam mais poderosos?
8A sua descendência se assenta na sua presença; e os seus rebentos diante dos seus olhos.
9As suas casas têm paz, sem temor, e a vara de Deus não está sobre eles.
10O seu touro gera e não falha; suas novilhas têm a cria e não abortam.
11Deixam suas crianças à solta, como um rebanho, e seus filhos pulam de alegria;
12Cantam com tambor e harpa e se alegram ao som dos instrumentos de corda.
13Na prosperidade, eles desfrutam de seus dias, e em um instante descem à sepultura.
14E, no entanto, dizem a Deus: Afaste-se de nós, pois não desejamos conhecer os seus caminhos.
15Quem é o Todo-Poderoso, para que o sirvamos? E de que nos servirá fazermos orações a Ele?
16Veja, porém, que a prosperidade deles não vem de suas próprias mãos; esteja longe de mim o conselho dos ímpios
17Quantas vezes se apaga a candeia dos ímpios? Quantas vezes lhes sobrevém a destruição? E Deus, na sua ira, lhes impõe dores.
18Porque são como a palha diante do vento e como a pragana arrebatada pelo remoinho
19Deus, dizeis vós, retém a iniquidade do perverso para seus filhos; mas é a ele que deveria Deus retribuir para que o sinta.
20Seus próprios olhos devem contemplar a sua ruína, e ele deve beber da ira do Todo-Poderoso.
21Porque, que prazer teria ele em sua casa, após sua morte, se o número de seus dias está se findando?
22Acaso alguém pode transmitir ciência a Deus, a Ele que julga os que estão nos céus?
23Um morre na força de sua plenitude, despreocupado e em paz
24Seus baldes estão repletos de leite e a medula dos seus ossos é fresca
25E outro morre ao contrário, na amargura do coração sem ter experimentado o que é bom
26Juntos, jazem no pó, e os vermes os cobrem
27Eu conheço os seus pensamentos e os injustos planos com que me tratam
28Porque você dirá: Onde está a casa do príncipe, e onde está a tenda em que moravam os perversos?
29Acaso não questionastes aqueles que passam pela estrada e não considerastes as suas declarações?
30O ímpio é reservado para o dia da calamidade e é socorrido no dia da ira.
31Quem poderá acusar diante dele o seu proceder? E quem lhe retribuirá pelo que faz?
32Finalmente, é levado ao sepulcro, e sobre o seu túmulo há vigilância.
33Os torrões do vale lhe são agradáveis, e todos os homens o seguem; há um número incalculável diante dele.
34Como vocês me consolam em vão? Das suas respostas, só resta a falsidade.
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.