“Prostrando-se diante de Jesus, exclamou em alta voz: "Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes."”
— Lucas 8:28 (Almeida Atualizada Livre)
1E aconteceu que, depois disso, Jesus andou de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus. Os doze o seguiam.
2E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios;
3Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens.
4E, enquanto uma grande multidão se reunia e vinham a ele de todas as cidades, disse Jesus por parábola:
5Um semeador saiu a semear sua semente, e, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.
6E outra parte caiu sobre pedras; e, ao brotar, murchou, pois não havia umidade.
7E outra caiu entre espinhos, e os espinhos, ao crescerem com ela, a sufocaram.
8E outra parte caiu em boa terra; ao brotar, produziu fruto cem vezes mais. E, dizendo isso, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
9E os seus discípulos perguntaram-lhe dizendo: Que parábola é esta?
10Ele lhes respondeu: A vocês é concedido conhecer os mistérios do reino de Deus; mas aos que estão fora, fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam; e, ouvindo, não entendam.
11Esta é a interpretação da parábola: a semente é a palavra de Deus.
12E os que estão à beira do caminho são aqueles que a ouvem; então vem o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra, para que não creiam e não sejam salvos.
13Os que estão sobre a pedra são aqueles que, ao ouvirem a palavra, a recebem com alegria; porém não têm raiz, creem por um tempo, e, no momento da provação, se desviam.
14Os que caíram entre espinhos são aqueles que ouviram a palavra, mas, ao longo do tempo, são sufocados pelos cuidados, riquezas e deleites da vida, e seus frutos não amadurecem.
15E os que caíram em boa terra são aqueles que, ouvindo a palavra com um coração bom e reto, a retêm e produzem fruto com perseverança.
16Ninguém, ao acender uma candeia, a cobre com um vaso ou a coloca debaixo da cama; pelo contrário, coloca-a em um suporte apropriado, para que aqueles que entram vejam a luz.
17Porque não existe nada oculto que não venha a ser manifestado nem nada escondido que não será conhecido e trazido à luz.
18Portanto, vejam como ouvem; porque ao que tem, mais será dado; e ao que não tem, até o que julga ter lhe será tirado.
19A mãe e os irmãos de Jesus vieram ter com ele mas não podiam se aproximar devido à multidão.
20Foi dito a ele por alguns: Sua mãe e seus irmãos estão lá fora e desejam vê-lo.
21Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam.
22Certa vez, em um daqueles dias, ele entrou em um barco com seus discípulos e lhes disse: "Vamos para a outra margem do lago." E partiram.
23E, enquanto navegavam, ele adormeceu; então, uma tempestade de vento irrompeu no lago, e as águas começaram a encher o barco, correndo eles o risco de afundar.
24E, aproximando-se dele, o despertaram dizendo: Mestre, Mestre, estamos perecendo! Ele, despertando-se, repreendeu o vento e a fúria das águas; e tudo cessou, e veio uma grande calmaria.
25E lhes disse: Onde está a vossa fé? Eles, possuídos de temor e admiração, diziam uns aos outros: Quem é este que até aos ventos e às ondas manda, e eles lhe obedecem?
26E foram para a terra dos gerasenos, que fica às margens da Galileia.
27Quando ele desembarcou, um homem possesso de muitos demônios saiu da cidade ao seu encontro. Ele não se vestia e não habitava em casa alguma, mas vivia nos sepulcros.
28Prostrando-se diante de Jesus, exclamou em alta voz: "Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes."
29Porque Jesus ordenava ao espírito imundo que saísse daquele homem, pois há muito tempo o dominava. Embora o mantivessem preso com grilhões e cadeias, ele despedaçava tudo e era impelido pelo demônio para os desertos.
30E Jesus perguntou: Qual é o seu nome? Ele respondeu: Legião, porque muitos demônios tinham entrado nele.
31E lhe suplicavam que não os enviasse ao abismo.
32E havia ali, pastando no monte, uma grande manada de porcos; e rogaram-lhe que lhes permitisse entrar naqueles porcos. E Ele o permitiu.
33E, ao saírem os demônios do homem, entraram nos porcos, e a manada se precipitou despenhadeiro abaixo, no lago, afogando-se.
34E os que os estavam cuidando, ao ver o que ocorreu, fugiram e foram anunciá-lo na cidade e pelos campos.
35Saíram para ver o que havia ocorrido e foram até Jesus; encontraram o homem de quem haviam saído os demônios, vestido, em perfeito juízo, assentado aos pés de Jesus, e ficaram dominados pelo terror.
36E aqueles que haviam presenciado os acontecimentos relataram também como o endemoninhado fora salvo.
37E toda a multidão da região dos gerasenos solicitou que se retirasse deles, pois estavam dominados por um temor intenso. Então, ele entrou no barco e partiu.
38O homem de quem tinham saído os demônios rogou-lhe que o deixasse estar com ele; Jesus, porém, o despediu, dizendo:
39Volta para a tua casa e conta a todos as grandes coisas que Deus fez por ti. Então, ele começou a anunciar por toda a cidade todas as coisas que Jesus tinha feito.
40Quando Jesus retornou, a multidão o recebeu com alegria, pois todos o estavam aguardando.
41E eis que veio um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga, e, prostrando-se aos pés de Jesus, suplicou que entrasse em sua casa.
42Porque tinha uma filha única de cerca de doze anos, que estava à morte. E, enquanto ele ia, a multidão o pressionava.
43E uma mulher que, há doze anos, vinha sofrendo de um fluxo de sangue, gastou todos os seus bens com médicos, mas não conseguiu ser curada por nenhum deles.
44Aproximando-se por trás dele, tocou na orla da veste, e imediatamente a hemorragia estancou.
45E Jesus perguntou: Quem me tocou? Todos negaram, e Pedro, junto com seus companheiros, disse: Mestre, as multidões te apertam e te oprimem e ainda perguntas: Quem me tocou?
46Jesus insistiu: "Alguém me tocou, pois senti que de mim saiu poder."
47Então a mulher, percebendo que não podia se esconder, aproximou-se trêmula e, prostrando-se diante dele, declarou à vista de todo o povo, a razão pela qual o havia tocado e como imediatamente foi curada.
48Ele lhe disse: Tem coragem, filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz.
49Enquanto ele ainda falava, chegou uma pessoa da casa do chefe da sinagoga, dizendo: Sua filha já está morta, não o incomode mais.
50Jesus, porém, ouvindo isso, respondeu: Não temas; crê somente, e ela será salva.
51E, ao chegar à casa, não permitiu que ninguém entrasse com ele, senão Pedro, João e Tiago, e bem assim o pai e a mãe da menina.
52E todos choravam e lamentavam, mas ele disse: Não chorem; ela não está morta, mas apenas dorme.
53E riam-se dele, pois sabiam que ela estava morta.
54Mas ele, afastando todos, tomou-a pela mão e, em voz alta, disse: Menina, levanta-te!
55E o espírito dela retornou e logo se levantou; então Jesus ordenou que lhe dessem de comer.
56E os pais dela ficaram admirados e ele os advertiu que não contassem a ninguém o que havia acontecido.
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.