“Porque veio João Batista, não comendo pão nem bebendo vinho e vocês dizem: Ele está possuído por um demônio!”
— Lucas 7:33 (Almeida Atualizada Livre)
1Depois de ter concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum.
2Um servo de um centurião, a quem ele muito estimava, estava doente e à beira da morte.
3E, ao ouvir sobre Jesus, enviou alguns anciãos dos judeus, solicitando que Ele viesse curar o seu servo.
4E, ao se aproximarem de Jesus, suplicaram com insistência, dizendo: Ele é digno de que lhe faças isso.
5Porque é amigo da nossa nação, e ele mesmo nos edificou a sinagoga.
6E Jesus foi com eles; porém, quando já se aproximava da casa, o centurião enviou alguns amigos para lhe dizer: Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres na minha casa;
7Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir até você; somente diga uma palavra, e meu servo será curado.
8Porque também eu sou um homem sujeito à autoridade, e tenho soldados ao meu comando. Digo a este: Vá; e ele vai; e a outro: Venha; e ele vem; e ao meu servo: Faça isto; e ele o faz.
9E Jesus, ouvindo essas palavras, ficou admirado com ele e, voltando-se para a multidão que o seguia, disse: Afirmo a vocês que nem mesmo em Israel encontrei fé como esta.
10E, ao voltarem para casa os enviados, encontraram curado o servo.
11E aconteceu que, no dia seguinte, Jesus dirigia-se a uma cidade chamada Naim, e muitos de Seus discípulos o acompanhavam, juntamente com uma grande multidão.
12Ao se aproximar da porta da cidade, eis que saía um enterro do filho único de uma viúva; e com ela seguia uma grande multidão da cidade.
13E, ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e disse: Não chores!
14E, aproximando-se, tocou o esquife e, parando os que o carregavam, disse: Jovem, eu te digo: Levanta-te!
15E o morto se levantou e pôs-se a falar; e Jesus o entregou de volta à sua mãe.
16Então, um grande temor apoderou-se de todos, e glorificavam a Deus, dizendo: "Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o Seu povo."
17A notícia a respeito dele se espalhou por toda a Judéia e por toda a circunvizinhança
18E os discípulos de João contaram-lhe todas essas coisas.
19E João, chamando dois dos seus discípulos, enviou-os a Jesus, perguntando: És tu aquele que havia de vir ou devemos aguardar outro?
20E, quando aqueles homens chegaram até ele, disseram: João Batista nos enviou para perguntar: Você é aquele que estava para vir, ou devemos esperar outro?
21E, naquela mesma hora, curou Jesus muitos de moléstias, e de flagelos, e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos.
22Respondendo, Jesus lhes disse: Vão e anunciem a João o que vocês têm visto e ouvido: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres é pregado o evangelho.
23E bem-aventurado é aquele que não se escandaliza em mim.
24E, quando os mensageiros de João se retiraram, começou a dizer à multidão a respeito de João: O que vocês foram ver no deserto? Uma cana balançada pelo vento?
25Mas o que vocês foram ver? Um homem vestido com roupas finas? Vejam que os que usam roupas elegantes e vivem no luxo estão nos palácios dos reis.
26Mas o que vocês foram ver? Um profeta? Sim, eu lhes digo, e muito mais do que um simples profeta.
27Este é aquele de quem está escrito: Eis que envio diante de ti o meu mensageiro, que preparará o teu caminho diante de ti.
28Pois eu lhes digo que, entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João; no entanto, o menor no Reino de Deus é maior do que ele.
29E todo o povo que o ouviu, assim como os publicanos, reconheceram a justiça de Deus, pois foram batizados com o batismo de João.
30Mas os fariseus e os intérpretes da Lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus, não tendo sido batizados por ele.
31E disse o Senhor: A quem, pois, compararei os homens desta geração, e a quem são semelhantes?
32São semelhantes a crianças que estão sentadas nas praças e gritam umas para as outras: Tocamos a flauta, mas não dançaram; entoamos lamentações, mas não choraram.
33Porque veio João Batista, não comendo pão nem bebendo vinho e vocês dizem: Ele está possuído por um demônio!
34Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e vocês dizem: "Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!"
35Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.
36E um dos fariseus convidou Jesus para jantar com ele. E, ao entrar na casa do fariseu, Jesus se acomodou à mesa.
37E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, trouxe consigo um vaso de alabastro com unguento.
38E, estando por detrás dele, aos seus pés, chorando, regava-os com lágrimas e enxugava-os com os cabelos da cabeça; e beijava-lhe os pés e os ungia com o perfume.
39E, ao ver isso, o fariseu que o havia convidado disse para si mesmo: Se este fosse profeta, saberia quem é e qual é a mulher que o tocou, pois é uma pecadora.
40E Jesus dirigindo-se a Simão, disse: Simão, uma coisa tenho a te dizer. E ele respondeu: Fala, Mestre.
41Um certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinquenta.
42E, não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a dívida. Diga-me, portanto, qual deles o amará mais?
43Simão respondeu: Suponho que aquele a quem foi perdoado em maior quantidade. Replicou-lhe: Julgaste bem.
44E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos.
45Não me ofereceste um beijo; mas esta mulher, desde que entrei, não cessa de me beijar os pés.
46Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, ungiu os meus pés com bálsamo.
47Por isso, eu te digo: os muitos pecados dela foram perdoados, porque ela amou muito; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.
48E disse à mulher: Os teus pecados estão perdoados.
49E os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados?
50E Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.