“Todo aquele que vem a mim, e ouve as minhas palavras e as pratica, eu vos mostrarei a quem se assemelha.”
— Lucas 6:47 (Almeida Atualizada Livre)
1E aconteceu que, num sábado, ao passar pelas searas, os seus discípulos começaram a colher espigas e, debulhando-as com as mãos, as comiam.
2E alguns dos fariseus disseram a eles: Por que fazeis o que não é lícito nos sábados?
3E Jesus, respondendo, disse: Vocês nem mesmo leram o que Davi fez quando ele e seus companheiros estavam com fome?
4Como entrou na casa de Deus, tomou os pães da proposição, comeu e deu também aos que estavam com ele, pães que não era lícito comer, mas exclusivamente aos sacerdotes?
5E dizia-lhes: O Filho do Homem é Senhor do sábado.
6E aconteceu que, em outro sábado, ele entrou na sinagoga e ensinava. Estava ali um homem cuja mão direita estava ressequida.
7E os escribas e fariseus o observavam, para ver se ele faria uma cura no sábado, a fim de encontrarem motivo para acusá-lo.
8Mas ele, conhecendo os seus pensamentos, disse ao homem com a mão ressequida: Levante-se e venha para o meio; e ele, levantando-se, ficou em pé.
9Então, Jesus lhes perguntou: Que lhes parece? É lícito, no sábado, fazer o bem ou o mal? Salvar a vida ou deixá-la perecer?
10E, fitando todos ao redor, disse ao homem: Estenda a sua mão. Ele assim o fez, e a mão lhe foi restaurada, saudável como a outra.
11E ficaram tomados de furor e discutiam entre si sobre o que fariam a Jesus.
12E aconteceu que, naqueles dias, subiu ao monte com o propósito de orar e passou a noite em oração a Deus.
13E, ao amanhecer, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, a quem também deu o nome de apóstolos.
14Simão, a quem também foi dado o nome de Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu;
15Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote;
16E Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou o traidor.
17E, descendo com eles, parou numa planura. Ali se encontrava uma grande multidão do povo, de seus discípulos e uma imensa quantidade de pessoas de toda a Judéia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e Sidom.
18Que tinham vindo para ouvi-lo e serem curados de suas enfermidades; assim como os atormentados por espíritos imundos que também eram curados.
19E toda a multidão buscava tocá-lo, porque dele saía um poder que curava a todos.
20E, erguendo os olhos para os seus discípulos, disse-lhes: Bem-aventurados sois vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.
21Bem-aventurados vocês que agora têm fome, porque serão saciados. Bem-aventurados vocês que agora choram, porque hão de rir.
22Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem da sua companhia, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como indigno, por causa do Filho do Homem.
23Alegrem-se naquele dia, exultem, porque grande é o prêmio que vocês têm no céu; pois assim agiam os pais de vocês com os profetas.
24Mas ai de vocês, os ricos! Porque já receberam a sua consolação.
25Ai de vocês, que estão agora fartos! Porque vocês terão fome. Ai de vocês, que agora riem! Pois vocês chorarão.
26Ai de vocês, quando todos os louvarem! Pois assim agiam os pais deles aos falsos profetas.
27Mas a vocês que estão ouvindo, eu digo: amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam;
28Abençoem aqueles que os maldizem e orem por aqueles que os caluniam.
29Ao que ferir vocês em uma face, ofereçam-lhe também a outra; e ao que tirar a capa de vocês, não o impeçam de levar também a túnica.
30Deem a qualquer um que lhes pedir; e, se alguém levar o que é de vocês, não exijam de volta.
31E, assim como vocês desejam que os outros os tratem, assim também façam vocês a eles.
32Se vocês amarem apenas os que os amam, qual será a recompensa que terão? Até os pecadores amam aqueles que os amam.
33E, se vocês fizerem o bem àqueles que lhes fazem o bem, qual será a recompensa que receberão? Afinal, até os pecadores fazem o mesmo.
34E, se vocês emprestarem àqueles de quem esperam receber de volta, qual será a recompensa de vocês? Pois até os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem a mesma quantia.
35Amem, portanto, os seus inimigos, façam o bem e emprestem, sem esperar nada em troca. Grande será a recompensa de vocês, e vocês serão filhos do Altíssimo, pois Ele é bondoso até mesmo com os ingratos e maus.
36Sejam, pois, misericordiosos, assim como o Pai de vocês também é misericordioso.
37Não julguem e não serão julgados; não condenem e não serão condenados; perdoem e receberão perdão.
38Deem, e será dado a vocês; boa medida, recalcada bem cheia, sacudida e transbordante, será colocada no colo de vocês; porque com a mesma medida que usarem para medir, também serão medidos.
39E contou-lhes uma parábola: Pode, porventura, um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco?
40O discípulo não é superior ao seu mestre; mas todo aquele que for bem treinado será como o seu mestre.
41Por que você observa o cisco que está no olho do seu irmão, mas não percebe a trave que está no seu próprio olho?
42Como você pode dizer ao seu irmão: "Irmão, deixe-me tirar o cisco que está no seu olho, sem perceber a trave que está no seu próprio olho? Hipócrita, tire primeiro a trave do seu olho e, então, verá claramente para remover o cisco do olho do seu irmão.
43Pois não existe árvore boa que produza frutos maus nem árvore má que produza frutos bons
44Pois cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto; porque não se colhem figos de espinhos, nem se vindimam uvas dos abrolhos.
45O homem bom do bom tesouro do seu coração extrai o que é bom, e o homem mau do mau tesouro tira o que é mau; pois a boca fala do que o coração está cheio.
46Por que me chamam de Senhor, Senhor, e não fazem o que eu ordeno?
47Todo aquele que vem a mim, e ouve as minhas palavras e as pratica, eu vos mostrarei a quem se assemelha.
48É semelhante ao homem que, ao construir uma casa, cavou e lançou o alicerce sobre a rocha. Quando veio a enchente, as águas golpearam com força contra aquela casa, mas não a conseguiram derrubar, pois estava firmemente edificada sobre a rocha.
49Aquele que ouve e não pratica é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre a terra, sem alicerces; e, arrojando-se o rio contra ela, logo desabou, e aconteceu que foi grande a ruína daquela casa.
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.