“Defendeste, Senhor, a causa da minha alma; redimiste a minha vida.”
— Lamentações 3:58 (Almeida Atualizada Livre)
1Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do seu furor.
2Ele me guiou e me fez andar nas trevas e não na luz.
3Certamente, ele voltou-se contra mim, e sua mão se virou constantemente, de dia.
4Fez envelhecer a minha carne e a minha pele, despedaçou os meus ossos.
5Edificou uma muralha contra mim e me cercou de veneno e dor.
6Colocou-me em lugares tenebrosos, como os que estão mortos para sempre.
7Cercou-me com muros, e já não posso sair; agravou-me com grilhões de bronze.
8Mesmo quando clamo e grito, ele não considera a minha oração.
9Fechou meus caminhos com pedras lavradas e fez tortuosas as minhas veredas.
10Tornou-se para mim como um urso à espreita, como um leão em emboscada.
11Desviou os meus caminhos e me despedaçou; deixou-me arrasado.
12Entesou seu arco e me pôs como alvo para a flecha.
13Faz entrar no meu íntimo as flechas da sua aljava.
14Tornei-me objeto de escárnio para todo o meu povo e um motivo de canção para eles durante todo o dia.
15Encheu-me de amarguras; saciou-me com absinto.
16Quebrou meus dentes com pedrinhas e me cobriu de cinzas.
17Afastou a paz da minha alma; já esqueci o que é o bem.
18Então, eu disse: Já se foi a minha glória, bem como a minha esperança no Senhor.
19Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do veneno.
20Minha alma, continuamente, se lembra disso e se abate dentro de mim.
21Isso trarei à memória; é por isso que encontro esperança.
22As misericórdias do Senhor são a causa pela qual não somos consumidos, pois as suas misericórdias não têm fim.
23Renovam-se a cada manhã; grande é a tua fidelidade.
24O Senhor é a minha porção, declara a minha alma; por isso, esperarei nele.
25Bom é o Senhor para os que nele esperam, para a alma que o busca.
26É bom aguardar em silêncio a salvação do Senhor.
27É bom que o homem suporte o jugo na sua juventude.
28Assente-se solitário e permaneça em silêncio; pois Deus colocou esse jugo sobre ele.
29Ponha a boca no pó; talvez ainda haja esperança.
30Dê sua face a quem o fere; suporte a afronta.
31Pois o Senhor não rejeitará para sempre.
32Antes, se ele entristecer a alguém, usará de compaixão, conforme a grandeza das suas misericórdias.
33Porque Ele não aflige nem entristece os filhos dos homens de bom grado.
34Para calcar aos pés todos os presos da terra.
35Para perverter o direito do homem perante a face do Altíssimo.
36Para perverter o direito do homem no seu pleito, não o veria o Senhor?
37Quem é aquele que fala e acontece, se o Senhor não o mandou?
38Não provém da boca do Altíssimo tanto o mal como o bem?
39Por que, então, o homem vivente se queixa? Que cada um se queixe de seus próprios pecados.
40Esquadrinhemos nossos caminhos e os provemos, voltemos ao Senhor.
41Levantemos nossos corações juntamente com as mãos, a Deus que está nos céus, dizendo:
42Nós prevaricamos e fomos rebeldes; por isso, Tu não nos perdoaste.
43Cobriste-nos com a tua ira e nos perseguiste; mataste-nos sem piedade.
44Tu te encobriste com nuvens para que a nossa oração não alcance.
45Nos tornaste como cisco e refugo no meio dos povos.
46Todos os nossos inimigos abriram a boca contra nós.
47Temor e armadilha nos atingiram; a devastação e a ruína nos cercaram.
48Dos meus olhos escorrem torrentes de água por causa da desolação da filha do meu povo.
49Os meus olhos choram sem cessar e não encontram descanso.
50Até que o Senhor olhe e veja do alto dos céus.
51Meu olhar entristece minha alma, por causa de todas as filhas da minha cidade.
52Como uma ave meus inimigos me caçaram sem motivo
53Destruíram minha vida na cova e atiraram pedras sobre mim.
54As águas correram sobre a minha cabeça; eu disse: Estou perdido!
55Clamei pelo teu nome, Senhor, desde as profundezas da cova.
56Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido aos meus lamentos, ao meu clamor.
57Tu te aproximaste de mim no dia em que te invoquei; disseste: Não temas.
58Defendeste, Senhor, a causa da minha alma; redimiste a minha vida.
59Senhor, viste a injustiça que me fizeram; julga a minha causa.
60Tu viste toda a tua vingança, todos os teus pensamentos a meu respeito.
61Ouviste as suas afrontas, Senhor, todos os seus pensamentos a meu respeito;
62As acusações dos que se levantam contra mim e suas murmurações a meu respeito, dia após dia.
63Observa-os quando se assentam e se levantam; eu sou o tema da sua canção.
64Dá-lhes, Senhor, a recompensa de acordo com a obra de suas mãos.
65Dá-lhes cegueira de coração, e que a tua maldição os atinja.
66Na tua ira, persegue-os e elimina-os de debaixo dos céus do Senhor.
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.