“O Senhor decidiu destruir o muro da filha de Sião; estendeu o cordel sobre ele e não retirou sua mão destruidora. Tanto o antemuro quanto o muro gemem, pois já estão juntos enfraquecidos.”
— Lamentações 2:8 (Almeida Atualizada Livre)
1Como o Senhor cobriu de nuvens, na sua ira, a filha de Sião! Precipitou do céu à terra a glória de Israel e não se lembrou do estrado de seus pés no dia da sua ira.
2O Senhor destruiu todas as moradas de Jacó e não se apiedou; derrubou, na sua ira, as fortalezas da filha de Judá e as lançou por terra; profanou o reino e seus príncipes.
3Destruiu, na intensidade de Sua ira, toda a força de Israel; retirou Sua destra diante do inimigo e inflou Sua indignação contra Jacó, como uma chama de fogo que tudo consome ao redor.
4Armou o seu arco como um inimigo; fortaleceu a mão direita como um adversário e destruiu tudo o que era belo à vista; derramou sua indignação como fogo na tenda da filha de Sião.
5O Senhor se tornou como um inimigo; devorou Israel, arrasou todos os seus palácios, destruiu suas fortalezas e multiplicou na filha de Judá o pranto e a lamentação.
6Destruiu a sua tenda com brutalidade, como se fosse um jardim; arruinou o lugar da sua assembleia. O Senhor, em Sião, fez esquecer as festas e o sábado, e, na indignação da sua ira, rejeitou com desprezo o rei e o sacerdote.
7O Senhor rejeitou o seu altar, abominou o seu santuário; entregou nas mãos do inimigo os muros dos seus castelos; gritaram na casa do Senhor, como em dia de festa.
8O Senhor decidiu destruir o muro da filha de Sião; estendeu o cordel sobre ele e não retirou sua mão destruidora. Tanto o antemuro quanto o muro gemem, pois já estão juntos enfraquecidos.
9As suas portas foram derrubadas, seus ferrolhos foram quebrados e despedaçados. Entre as nações estão o seu rei e os seus príncipes; já não há lei, e os seus profetas não recebem mais qualquer visão do Senhor.
10Estão sentados no chão em silêncio os anciãos da filha de Sião; lançam pó sobre as cabeças e se vestem de cilício; as moças de Jerusalém inclinam suas cabeças até o chão.
11Consumiram-se os meus olhos em lágrimas; minha alma está angustiada e meu coração se derramou de dor por causa da calamidade da filha do meu povo; pois desfalecem os meninos e os bebês nas ruas da cidade.
12A suas mães dizem: Onde há pão e vinho? quando desfalecem como feridos pelas ruas da cidade, exalando a sua alma nos braços de suas mães.
13Que testemunho posso te trazer? A quem te compararei, ó filha de Jerusalém? A quem te assemelharei para te consolar, ó virgem filha de Sião? Pois grande como o mar é a tua calamidade; quem te acudirá?
14Os teus profetas te disseram coisas vãs e insensatas e não revelaram a tua maldade, para que não restaurasses a tua sorte; ao contrário, anunciaram visões de sentenças falsas, que te levaram para o cativeiro.
15Todos os que passam pelo caminho aplaudem, assobiam e balançam a cabeça em relação à filha de Jerusalém, dizendo: É esta a cidade que era chamada a perfeição da formosura, a alegria de toda a terra?
16Todos os seus inimigos abrem a boca contra você, assobiam e rangem os dentes; dizem: Devoramo-la; certamente, este é o dia que esperávamos; finalmente a encontrámos e a vimos.
17O Senhor executou o que havia planejado, cumpriu a Sua palavra que proclamou desde os tempos antigos; derrubou e não teve compaixão; fez com que o inimigo se alegrasse por sua causa e exaltou o poder de seus adversários.
18O coração de Jerusalém clama ao Senhor: Ó muralha da filha de Sião, corram as tuas lágrimas como um ribeiro, de dia e de noite; não te dês descanso, nem cessem as meninas dos teus olhos!
19Levanta-te, clama de noite no princípio das vigílias; derrama, como água, teu coração diante do Senhor; eleva a ele as tuas mãos, pela vida de teus filhinhos que desfalecem de fome à entrada de todas as ruas.
20Vê, ó Senhor, e considera a quem fizeste assim: as mulheres comerão o fruto de suas entranhas, as crianças que acariciam? Ou será que o sacerdote e o profeta morrerão no santuário do Senhor?
21Jazem no chão, pelas ruas, o jovem e o velho; minhas virgens e meus jovens caíram à espada; tu os mataste no dia da tua ira; fizeste uma matança e não te apiedaste.
22Convocaste meus medos de todas as partes como em um dia de solenidade; não houve ninguém no dia da ira do Senhor que escapasse ou ficasse; aqueles a quem eu abracei, o meu inimigo os consumiu.
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.