“Porque, na verdade, seria mais pesada do que a areia dos mares; por isso, as minhas palavras foram pronunciadas precipitadamente”
— Jó 6:3 (Almeida Atualizada Livre)
1Então, Jó respondeu:
2Oh, se a minha queixa pudesse ser pesada com precisão e a minha miséria colocada em uma balança!
3Porque, na verdade, seria mais pesada do que a areia dos mares; por isso, as minhas palavras foram pronunciadas precipitadamente
4Porque as flechas do Todo-Poderoso estão cravadas em mim; o veneno delas consome o meu espírito; os terrores de Deus se armam contra mim.
5Por acaso o jumento montês zurrará perto da relva? Ou o boi mugirá junto à sua forragem?
6Pode-se comer algo sem sal que é insípido? Ou há sabor na clara do ovo?
7A minha alma recusa tocá-lo, pois é como uma comida da qual não me atrevo a comer.
8Quem dera que se concretizasse o meu pedido e que Deus me concedesse o que tanto anseio.
9E que Deus desejasse me esmagar liberando Sua mão, e pusesse um ponto final à minha vida!
10Isso ainda seria a minha consolação, e exultaria de alegria na minha dor, pois não escondi as palavras do Santo.
11Qual é a minha força para que eu espere, e qual o meu destino para que eu prolongue a vida?
12É a minha força semelhante à força de uma pedra? Ou é a minha carne comparável à de bronze?
13Minha ajuda não está comigo? A verdadeira sabedoria me abandonou?
14Ao aflito o amigo deve mostrar compaixão, a não ser que tenha deixado de lado o temor do Todo-Poderoso.
15Meus irmãos me traíram, são como um ribeiro, como a correnteza que transborda no vale.
16Que estão cobertos de gelo, e neles se oculta a neve.
17No tempo em que o calor derrete, emudecem; ao aquecerem-se, vão-se do seu lugar.
18Desviam-se os caminhos deles; sobem a lugares desolados e perecem.
19Os viajantes de Temá procuram essa torrente; os comerciantes de Sabá por ela suspiram.
20Ficaram envergonhados por terem confiado; ao chegarem lá, se confundiram
21Agora vocês são como eles: viram os meus males e se espantaram.
22Disse eu: Dêem-me um presente? Ou ofereçam-me um suborno da sua fazenda?
23Ou me libertem do poder do opressor? Ou me redimam das mãos dos tiranos?
24Ensinem-me, e eu me calarei; façam-me compreender onde errei.
25Quão persuasivas são as palavras retas! Mas o que vocês dizem em sua defesa?
26Vocês estão procurando reprovar minhas palavras, ditas por um desesperado como se fossem vento
27Mas antes lançareis sorte sobre o órfão e cavareis uma cova para o vosso amigo.
28Agora, pois, se estão dispostos voltem-se para mim e vejam que não estou mentindo diante de vocês.
29Voltem, peço, e não haja iniquidade; voltem, e a justiça da minha causa triunfará.
30Há iniquidade na minha língua? Não pode o meu paladar discernir as minhas misérias?
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.