“Por que me acolheram os joelhos? E por que os seios para que eu mamasse?”
— Jó 3:12 (Almeida Atualizada Livre)
1Depois disto, Jó abriu a sua boca e amaldiçoou o dia do seu nascimento.
2E Jó falou e disse:
3Pereça o dia em que nasci e a noite em que se disse "Foi concebido um homem!"
4Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não se lembre dele, nem resplandeça a luz sobre ele.
5Reclamem-no as trevas e a sombra da morte; sobre ele habitem as nuvens; que tudo o que pode enegrecer o dia o espante
6Apodere-se dela a escuridão; não seja ela contada entre os dias do ano, não entre na conta dos meses!
7Ah! maldita seja aquela noite! e que dela sejam banidos os sons de júbilo!
8Amaldiçoem-na os que amaldiçoam o dia e estão prontos para levantar o seu lamento.
9Escureçam-se as estrelas do seu crepúsculo; espere pela luz, e não a veja, nem as pálpebras dos olhos da alva!
10Por que não fechou as portas do ventre, nem escondeu de meus olhos o sofrimento?
11Por que não morri eu na madre? E por que não expirei ao sair dela?
12Por que me acolheram os joelhos? E por que os seios para que eu mamasse?
13Por que agora repousaria tranquilo; dormiria, e assim teria descanso para mim?
14Com os reis e conselheiros da terra que para si edificaram tumbas em lugares desolados;
15Ou com os príncipes que possuíam ouro e enchiam suas casas de prata;
16Ou, como um aborto oculto, não teria existido; como as crianças que nunca viram a luz.
17Ali, os maus cessam de incomodar e ali repousam os cansados.
18Ali, os prisioneiros repousam juntos e não escutam a voz do feitor.
19Ali estão tanto o pequeno como o grande, e o servo se encontra livre de seu senhor.
20Por que se concede luz ao miserável e vida aos amargurados de ânimo
21Que esperam pela morte, mas ela não chega; cavariam em busca dela mais do que por tesouros escondidos.
22Alegrar-se-iam e exultariam ao encontrar a sepultura.
23Por que se concede luz ao homem, cujo caminho é oculto e a quem Deus cercou de todos os lados?
24Porque, em vez do meu pão, vem o meu suspiro, e os meus lamentos se derramam como água.
25O que eu temia me sobreveio e o que eu receava me aconteceu.
26Nunca encontrei descanso, nem tranquilidade, nem paz e já me sobreveio uma grande perturbação.
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.