“As chuvas das montanhas os molham, e, não tendo refúgio, abraçam-se às rochas.”
— Jó 24:8 (Almeida Atualizada Livre)
1Por que o Todo-Poderoso não revela os tempos de julgamento? E por que os que o conhecem não percebem os seus dias?
2Os limites são removidos; roubam os rebanhos e os apascentam.
3Tomam o jumento do órfão e tomam o boi da viúva em penhor.
4Eles desviam do caminho os necessitados, e os pobres da terra precisam se esconder deles.
5Como jumentos selvagens no deserto, esses saem para o seu ofício, levantando-se de manhã para buscar alimento; o campo aberto é o que sustenta a eles e a seus filhos.
6No campo, colhem o pasto do ímpio e vindimam sua vinha.
7Eles passam a noite nus sem roupas e não têm cobertores para se proteger do frio.
8As chuvas das montanhas os molham, e, não tendo refúgio, abraçam-se às rochas.
9Arrancam do seio as crianças órfãs e tomam como penhor o que pertence aos pobres.
10Fazem com que os nus andem desprovidos de vestuário e os famintos arrastem seus molhos.
11Entre os muros desses ímpios espremem o azeite; pisam os lagares e, no entanto, padecem de sede.
12Os homens gemem nas cidades e a alma dos feridos clama; contudo, Deus não considera isso anormal.
13Eles estão entre os inimigos da luz; não conhecem os seus caminhos, nem permanecem nas suas veredas.
14De madrugada, o homicida se levanta, mata o pobre e o necessitado, e à noite age como um ladrão.
15Assim como os olhos do adúltero aguardam o crepúsculo, ele diz consigo: "Ninguém me reconhecerá"; e cobre o rosto.
16Nas trevas, eles se infiltram nas casas que assinalaram durante o dia; nada desejam da luz.
17Porque para todos eles a manhã é como a sombra da morte; mas os terrores da noite lhes são familiares.
18Ele é rápido na superfície das águas; maldita é a sua porção na terra; não anda pelo caminho das vinhas.
19A secura e o calor derretem as águas da neve; assim a sepultura consumirá os que pecaram.
20A mãe se esquecerá dele, os vermes o consumirão com prazer; nunca mais haverá lembrança dele; como uma árvore, o injusto será quebrado.
21Ele oprime a estéril que não gera e não faz bem à viúva.
22Ele fortalece os valentes com seu poder; eles se mantêm de pé, mesmo quando perdem a esperança na vida.
23Se Deus lhes dá descanso, confiem nisso; pois os olhos d'Ele estão voltados para os caminhos deles.
24Por um breve momento se exaltam e logo desaparecem; são abatidos, colhidos como todos os demais, e cortados como as espigas.
25Se não é assim, quem me contradirá e anulará as minhas razões?
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.