“Eles me provocaram a ciúmes com o que não é Deus; com suas vaidades me provocaram à ira; portanto, eu os provocarei a ciúmes com um povo que não é povo; com uma nação insensata os despertarei à ira.”
— Deuteronômio 32:21 (Almeida Atualizada Livre)
1Inclinai os ouvidos, ó céus, e eu falarei; e que a terra ouça as palavras da minha boca.
2Goteje a minha doutrina como a chuva, e destilem as minhas palavras como o orvalho, como chuviscos sobre a relva e como gotas d'água sobre os brotos.
3Porque proclamarei o nome do SENHOR; engrandecei o nosso Deus.
4Ele é a Rocha, cujas obras são perfeitas, pois todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e nele não há injustiça; é justo e reto.
5Corromperam-se contra ele; já não são seus filhos, mas a sua mancha; é geração perversa e deformada.
6Recompensais assim ao Senhor, povo insensato e sem conhecimento? Não é ele o teu Pai, que te adquiriu, te formou e te estabeleceu?
7Lembra-te dos dias antigos, atenta para os anos de gerações e gerações; pergunta a teu pai, e ele te informará; aos teus anciãos, e eles te contarão.
8Quando o Altíssimo repartiu as heranças às nações, quando separou os filhos dos homens uns dos outros, estabeleceu os limites dos povos, conforme o número dos filhos de Israel.
9Porque a porção do SENHOR é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança.
10Achou-o em uma terra deserta, num ermo solitário povoado de uivos; rodeou-o e cuidou dele, guardou-o como a menina dos olhos.
11Como a águia desperta a sua ninhada e voa sobre os seus filhotes, estende as asas, toma-os e os leva sobre elas.
12Assim, o Senhor o guiou, e não havia com ele deus estranho.
13Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra, comer os primeiros frutos do campo, chupar mel da rocha e azeite da dura pedreira.
14Coalhada de vacas e leite de ovelhas, com a gordura dos cordeiros e dos carneiros que pastam em Basã e dos bodes, com o mais escolhido trigo; e bebeste o sangue das uvas, o mosto.
15Mas Jesurum se tornou gordo e deu coices; engordaste-te, tornaste-te robusto e te revestiste de gordura; abandonou a Deus, que o fez, desprezou a Rocha da sua salvação.
16Provocaram-no a ciúmes com deuses estranhos; irritaram-no com abominações.
17Sacrifícios ofereceram a demônios, não a Deus; a deuses que não conheceram, novos que vieram há pouco, dos quais não se estremeceram seus pais.
18Esqueceste-te da Rocha que te gerou; e esqueceste-te do Deus que te deu a vida.
19O Senhor viu isso e os desprezou, por causa da provocação de seus filhos e suas filhas.
20E disse: Esconderei o meu rosto deles, e verei qual será o seu fim; pois são uma geração de perversidade, filhos em quem não há lealdade.
21Eles me provocaram a ciúmes com o que não é Deus; com suas vaidades me provocaram à ira; portanto, eu os provocarei a ciúmes com um povo que não é povo; com uma nação insensata os despertarei à ira.
22Porque um fogo se acendeu na minha ira e arderá até o mais profundo do inferno, consumirá a terra e suas colheitas e abrasará os fundamentos dos montes.
23Males amontoarei sobre eles; as minhas flechas esgotarei contra eles.
24Ficarão consumidos pela fome, devorados por febre maligna e peste violenta; enviarei contra eles dentes de feras e o veneno ardente de serpentes do pó.
25A espada devastará por fora e o pavor consumirá por dentro, tanto ao jovem quanto à virgem assim como à criança de peito e ao homem idoso.
26Eu disse: Eu os espalharia entre as nações; faria desaparecer sua memória entre os homens.
27Se eu não temesse a provocação do inimigo, para que seus adversários não se tornassem vaidosos, e para que não dissessem "A nossa mão prevaleceu, o Senhor não fez nada disso."
28Porque são um povo que carece de conselhos, e neles não há entendimento.
29Ó, se fossem sábios! Se pudessem entender isto e refletir sobre o seu fim!
30Como poderia um só perseguir mil, e dois fazerem fugir dez mil, se a Rocha lhos não vendeu, e o Senhor não os entregou?
31Porque a rocha deles não é como a nossa Rocha; e os próprios inimigos o atestam.
32Porque a sua vinha é a vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra; suas uvas são uvas de veneno, e seus cachos são amargos.
33O seu vinho é veneno ardente, como o veneno de serpentes, e é terrível como a peçonha de víboras.
34Não está isso guardado comigo, selado em meus tesouros?
35Minha é a vingança e a retribuição no momento em que o seu pé resvalar, porque o dia da sua calamidade está próximo, e seu destino se apressa em chegar.
36Porque o Senhor fará justiça ao seu povo e se compadecerá de seus servos; pois quando vir que o seu poder se foi, já não haverá nem escravo nem livre.
37Então, dirá: Onde estão os seus deuses, a rocha em que vocês confiavam?
38De cujos sacrifícios comiam a gordura e de cujas libações bebiam o vinho. Levantem-se e vos ajudem, para que haja para vós um refúgio.
39Vejam agora que Eu sou, e não há outro deus além de mim: Eu mato e Eu dou vida; Eu firo e Eu sarei; e não há quem possa livrar alguém da minha mão.
40Levantarei a mão aos céus e afirmarei por minha vida eterna:
41Se eu afiar a minha espada reluzente e a minha mão exercer o juízo, terei vingança contra os meus adversários e recompensarei aqueles que me odeiam.
42Embriagarei minhas flechas com sangue; minha espada devorará carne: do sangue dos mortos e dos prisioneiros, das cabeças cabeludas do inimigo, haverá vingança.
43Louvai, ó nações, com o seu povo, porque Ele vingará o sangue dos seus servos; tomará vingança sobre os seus adversários e fará expiação pela terra do seu povo.
44E Moisés foi e falou todas as palavras deste cântico aos ouvidos do povo, juntamente com Josué, filho de Num.
45E, ao concluir Moisés de falar todas essas palavras a todo o Israel,
46Disse-lhes: Apliquem o coração a todas as palavras que hoje testifico a vocês, para que as ensinem a seus filhos e tenham cuidado de cumprir todas as palavras desta lei.
47Porque esta palavra não é vã; antes, é a vossa vida. E, por esta mesma palavra, prolongareis os dias na terra à qual, atravessando o Jordão, ides para possuí-la.
48E o Senhor falou a Moisés nesse mesmo dia, dizendo:
49Sobe a este monte de Abarim, ao monte Nebo, que se encontra na terra de Moabe, defronte de Jericó, e vê a terra de Canaã, que dou aos filhos de Israel como possessão.
50E você morrerá no monte ao qual subir e se reunirá ao seu povo, assim como Arão, seu irmão, morreu no monte Hor e se recolheu ao seu povo.
51Porque vocês transgrediram contra mim no meio dos filhos de Israel, nas águas de Meribá no deserto de Zim, pois não me santificaram entre os filhos de Israel.
52Por isso, verás a terra à tua frente, mas não entrarás nela, na terra que dou aos filhos de Israel.
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.