“Vocês, que receberam a lei por meio de anjos e não a observaram”
— Atos 7:53 (Almeida Atualizada Livre)
1E perguntou o sumo sacerdote: É isso, então, assim?
2Irmãos e pais, ouçam. O Deus da glória apareceu a Abraão, nosso pai, enquanto estava na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã.
3E disse-lhe Saia da sua terra e da sua parentela e venha para a terra que eu lhe mostrarei.
4Então, saiu da terra dos caldeus e habitou em Harã. E, após a morte de seu pai, Deus o trouxe para esta terra em que agora habitais.
5E não lhe deu herança nela, nem sequer o espaço de um pé; mas prometeu que a daria em posse e depois à sua descendência, não tendo ele ainda filhos.
6E Deus disse que a sua descendência seria peregrina em terra estrangeira, onde seriam escravizados e maltratados por quatrocentos anos.
7E eu, disse Deus, julgarei a nação a que servirão, e, depois disso, sairão de lá e me servirão neste lugar.
8E Deus lhe deu a aliança da circuncisão; assim, nasceu Isaque, e Abraão o circuncidou ao oitavo dia; de Isaque procedeu Jacó, e deste, os doze patriarcas.
9E os patriarcas, cheios de inveja, venderam José para o Egito; mas Deus estava com ele.
10E o livrou de todas as suas aflições, concedendo-lhe também graça e sabedoria diante de Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre a nação e sobre toda a sua casa.
11E sobreveio, porém, grande fome em todo o Egito; e, em Canaã, nossos pais não achavam mantimentos.
12Mas, ao ouvir Jacó que havia trigo no Egito, enviou nossos pais para lá pela primeira vez.
13E na segunda vez, José se fez reconhecer por seus irmãos, e a família de José foi revelada a Faraó.
14E José mandou chamar a seu pai, Jacó, e toda a sua parentela, que era composta por setenta e cinco pessoas.
15E Jacó desceu ao Egito, onde ele morreu e nossos pais faleceram.
16Foram levados para Siquém e colocados no sepulcro que Abraão comprou por um preço de dinheiro aos filhos de Hamor, pai de Siquém.
17Mas, à medida que o tempo da promessa que Deus havia jurado a Abraão se aproximava, o povo cresceu e se multiplicou no Egito;
18Até que surgiu ali um novo rei que não conhecia José.
19Ele, com astúcia tratou mal os nossos antepassados, forçando-os a enjeitar seus filhos para que não sobrevivessem.
20Naquele tempo nasceu Moisés, e ele era formoso aos olhos de Deus. Por três meses, foi ele mantido na casa de seu pai;
21E, ao ser abandonado, foi recolhido pela filha de Faraó, que o criou como seu próprio filho.
22E Moisés foi instruído em toda a sabedoria dos egípcios e era poderoso em palavras e ações.
23E, ao completar quarenta anos, surgiu-lhe no coração a ideia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel.
24E, ao ver que um deles estava sendo tratado injustamente, tomou-lhe a defesa e fez justiça ao oprimido, matando o egípcio.
25Ele acreditava que seus irmãos entenderiam que Deus os salvaria por meio dele, mas eles não compreenderam.
26E, no dia seguinte, enquanto alguns estavam brigando, Moisés os viu e quis reconduzi-los à paz, dizendo: "Homens, vocês são irmãos; por que se ofendem uns aos outros?"
27E aquele que ofendia o seu próximo o repeliu, dizendo: "Quem te constituiu autoridade e juiz sobre nós?"
28"Você quer me matar assim como fez ontem com o egípcio?"
29Moisés, ao ouvir essas palavras, fugiu e tornou-se um peregrino na terra de Midiã, onde teve dois filhos.
30E, decorridos quarenta anos, o anjo do Senhor apareceu-lhe no deserto do monte Sinai, em meio às chamas de uma sarça que ardia.
31Então Moisés, ao vê-lo, maravilhou-se com a visão; e, aproximando-se para observar, ouviu a voz do Senhor.
32"Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó." E Moisés, tremendo de medo, não se atrevia a olhar.
33E disse o Senhor: "Tire as sandálias dos pés, pois o lugar onde você está é terra santa."
34Eu vi, de fato, a aflição do meu povo que está no Egito, ouvi o seu gemido; por isso desci para libertá-lo. Agora, vem, e eu te enviarei ao Egito.
35A este Moisés, a quem negaram reconhecer, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz? A este enviou Deus como chefe e libertador, com a assistência do anjo que lhe apareceu na sarça.
36Ele os tirou, realizando prodígios e sinais na terra do Egito, assim como no mar Vermelho e no deserto, durante quarenta anos.
37Este é Moisés quem disse aos filhos de Israel: O Senhor, o seu Deus, vos suscitará dentre os vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis.
38Este é aquele que esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai, e com nossos pais; o qual recebeu palavras vivas para nos transmitir.
39A este nossos pais não quiseram obedecer; antes, o repeliram e, em seu coração, voltaram para o Egito.
40Dizendo a Arão: Faze-nos deuses que caminhem à nossa frente; porque a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu.
41Naqueles dias, fizeram um bezerro e ofereceram sacrifícios ao ídolo, alegrando-se com as obras das suas mãos.
42E Deus se afastou e os entregou ao culto da milícia celestial, como está escrito no livro dos profetas: "Acaso me oferecestes a mim vítimas e sacrifícios no deserto durante quarenta anos, ó casa de Israel?"
43Antes, acolhestes o tabernáculo de Moloque e a estrela do deus Renfã, figuras que fizestes para as adorar; por isso, eu vos desterrarei para além da Babilônia.
44Estava entre nossos pais, no deserto, o tabernáculo do Testemunho, conforme determinou aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que havia visto.
45Os nossos pais, recebendo-o também, o levaram com Josué quando tomaram posse das nações que Deus expulsou da presença deles, até os dias de Davi.
46Achou graça diante de Deus e pediu que pudesse achar morada para o Deus de Jacó.
47Salomão foi quem edificou a casa para Ele.
48Entretanto, o Altíssimo não habita em templos construídos por mãos humanas, como proclama o profeta:
49O céu é o meu trono, e a terra é o estrado dos meus pés; que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual seria o lugar do meu descanso?
50Não foi, por acaso, a minha mão que fez todas essas coisas?
51Vocês são homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvidos, sempre resistem ao Espírito Santo; assim como fizeram seus pais, assim também vocês o fazem.
52A qual dos profetas vocês não perseguiram? Até mataram aqueles que anunciavam de antemão a vinda do Justo, a quem agora vocês se tornaram traidores e assassinos.
53Vocês, que receberam a lei por meio de anjos e não a observaram
54E, ao ouvirem essas palavras, se enfureceram em seus corações e rangeram os dentes contra ele.
55Mas ele, cheio do Espírito Santo, fixou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita.
56E disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem em pé à destra de Deus.
57Eles, porém, gritando em alta voz, taparam os ouvidos e, unânimes, lançaram-se contra ele.
58E, expulsando-o da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo.
59E apedrejaram Estêvão, que invocava o Senhor e clamava: Senhor Jesus, recebe o meu espírito!
60E, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu.
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.