“Pois você pode notar que não se passaram mais de doze dias desde que subi a Jerusalém para adorar;”
— Atos 24:11 (Almeida Atualizada Livre)
1Cinco dias depois, desceu o sumo sacerdote Ananias, acompanhado de alguns anciãos e com certo orador, chamado Tértulo, os quais apresentaram ao governador libelo contra Paulo.
2E, ao ser chamado, Tértulo iniciou a acusação, dizendo: Excelentíssimo Félix, tendo nós, por teu intermédio, desfrutado de paz duradoura, e também por teu cuidadoso providenciamento, realizadas notáveis reformas em benefício deste povo,
3Por tua causa, temos desfrutado de grande paz, e por meio de tua sabedoria, muitas e admiradas realizações têm sido feitas entre este povo, em todos os lugares. Portanto, ó poderoso Félix, reconhecemos com toda a gratidão.
4Contudo, para não te deter por muito tempo, rogo-te que, conforme a tua clemência nos ouças por um momento.
5Porque temos verificado que este homem é uma peste e provoca sedições entre os judeus esparsos por todo o mundo, sendo também o principal agitador da seita dos nazarenos.
6Ele também tentou profanar o templo, por isso o prendemos com o intuito de julgá-lo de acordo com a nossa lei.
7Entretanto, ao chegar o comandante Lísias, ele o arrancou das mãos deles com grande violência:
8Mandando que os seus acusadores viessem à tua presença; ao examiná-lo, poderás ter conhecimento de todas as coisas das quais o acusamos.
9Os judeus também concordaram na acusação, afirmando que estas coisas eram assim.
10Paulo, ao receber o sinal do governador para falar, respondeu: "Sabendo que há muitos anos és juiz desta nação, sinto-me à vontade para me defender diante de ti."
11Pois você pode notar que não se passaram mais de doze dias desde que subi a Jerusalém para adorar;
12E não me acharam no templo discutindo com alguém, nem tampouco amotinando o povo, seja nas sinagogas, seja na cidade.
13E não conseguem provar as acusações que, agora, fazem contra mim.
14Entretanto, confesso-te que, segundo o caminho a que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na lei e nos profetas.
15Tendo esperança em Deus, assim como estes também esperam, de que haverá ressurreição dos mortos, tanto dos justos como dos injustos.
16Por isso, esforço-me continuamente para manter uma consciência pura, tanto diante de Deus quanto dos homens.
17Após muitos anos, vim trazer à minha nação esmolas e também fazer oferendas,
18Alguns judeus da Ásia me encontraram já purificado no templo, sem ajuntamento e sem tumulto.
19Os quais deviam comparecer diante de ti e me acusar, se tivessem alguma coisa contra mim.
20Ou que estes mesmos digam que encontraram em mim alguma iniquidade quando estive perante o Sinédrio.
21Senão estas palavras que, estando entre eles, clamei: Hoje sou julgado por vós acerca da ressurreição dos mortos.
22Então, Félix, conhecendo mais acuradamente as coisas com respeito ao Caminho, decidiu adiar o caso, dizendo: "Quando o tribuno Lísias descer, tomarei inteiro conhecimento dos vossos assuntos."
23E ordenou ao centurião que mantivesse Paulo detido, tratando-o com indulgência e não permitindo que seus amigos deixassem de servi-lo ou de visitá-lo.
24Depois de alguns dias, vindo Félix com sua mulher Drusila, que era judia, mandou chamar a Paulo e ouviu-o acerca da fé em Cristo Jesus.
25E, dissertando ele a respeito da justiça, do domínio próprio e do juízo vindouro, Félix, amedrontado, respondeu: Por agora, retire-se, e, quando eu tiver tempo, chamá-lo-ei.
26Esperando também que Paulo lhe desse dinheiro; por isso, o chamava com frequência e conversava com ele.
27Depois de completados dois anos, Félix foi sucedido por Pórcio Festo; e, desejando Félix obter o apoio dos judeus, manteve Paulo encarcerado.
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.