“Porque quem, ao encontrar seu inimigo, o deixaria ir em paz? Que o Senhor te recompense com o bem que hoje me fizeste.”
— 1 Samuel 24:19 (Almeida Atualizada Livre)
1Sucedeu que, ao voltar Saul de perseguir os filisteus, lhe disseram: "Eis que Davi está no deserto de En-Gedi."
2Então Saul tomou três mil homens escolhidos entre todo o Israel e foi ao encalço de Davi e de seus homens, nas fraldas das cabras monteses.
3E chegou a uns currais de ovelhas ao longo do caminho, onde havia uma caverna; Saul entrou nela para aliviar-se; Davi e seus homens estavam assentados nas profundezas da caverna.
4Então os homens de Davi disseram-lhe: Hoje é o dia em que o Senhor te falou: Eis que entreguei teu inimigo em tuas mãos; faze com ele o que bem te parecer. Levantou-se Davi e, furtivamente, cortou a orla do manto de Saul.
5Sucedeu, porém, que, depois, o coração de Davi o incomodou por ter cortado a orla do manto de Saul.
6E disse aos seus homens: O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o ungido do Senhor
7E com essas palavras, Davi deteve os seus homens e não lhes permitiu que se levantassem contra Saul; então Saul retirou-se da caverna e continuou seu caminho.
8Então Davi saiu da caverna e gritou a Saul, dizendo: "Rei, meu senhor!" Quando Saul se virou, Davi se inclinou fazendo reverência com o rosto em terra.
9E Davi disse a Saul: Por que você ouve as palavras dos homens que dizem: Certamente Davi procura fazer-lhe mal?
10Veja, hoje os teus próprios olhos presenciaram que o Senhor te entregou nas minhas mãos nesta caverna, e alguns disseram que eu te matasse; porém a minha mão te poupou, pois declarei: Não estenderei a mão contra o meu senhor, pois ele é o ungido de Deus.
11Veja, meu pai, aqui está a orla do seu manto em minha mão; pois, ao cortá-la, não o matei. Reconheça, portanto, e veja que não há em minha mão nem mal nem transgressão e não pequei contra você, mesmo que você esteja à procura da minha vida para tirá-la.
12Julgue o Senhor entre mim e você, e que o Senhor me vingue a seu respeito; porém a minha mão não será contra você.
13Como dizem os antigos: A impiedade emerge dos ímpios, contudo, a minha mão não se voltará contra você.
14Após quem saiu o rei de Israel? A quem persegue? A um cão morto? A uma pulga?
15O Senhor, porém, será o juiz e julgará entre mim e você; Ele verá e pleiteará a minha causa, e me fará justiça, livrando-me da sua mão.
16E aconteceu que, após Davi terminar de falar a Saul todas essas palavras, Saul disse: É esta a tua voz, meu filho Davi? E Saul chorou em alta voz.
17E disse a Davi: Você é mais justo do que eu; pois você me fez o bem e eu te paguei com o mal.
18Tu demonstraste hoje que agiste com bondade para comigo; pois o Senhor me entregou em tuas mãos, e tu não me mataste.
19Porque quem, ao encontrar seu inimigo, o deixaria ir em paz? Que o Senhor te recompense com o bem que hoje me fizeste.
20Agora, tenho a certeza de que você reinará e que o reino de Israel estará firme em suas mãos.
21Jura-me agora pelo Senhor que não exterminarás a minha descendência após a minha morte, nem apagarás o meu nome da casa de meu pai.
22Então Davi fez um juramento a Saul, e Saul voltou para sua casa; porém Davi e seus homens subiram ao lugar seguro.
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.