“Disse então Saul ao povo que estava com ele: "Vão e verifiquem quem saiu de entre nós." Eles contaram e perceberam que nem Jônatas nem seu escudeiro estavam presentes.”
— 1 Samuel 14:17 (Almeida Atualizada Livre)
1Certa vez, Jônatas, filho de Saul, disse ao seu jovem escudeiro: "Vamos atravessar até a guarnição dos filisteus, que está do outro lado." Porém, não informou a seu pai.
2Estava Saul na borda de Gibeá, debaixo da romeira que estava em Migrom; e o povo que o acompanhava contava cerca de seiscentos homens.
3E Aías, filho de Aitube, irmão de Icabode, filho de Finéias, filho de Eli, sacerdote do Senhor em Siló, trazia a estola sacerdotal. Porém o povo não sabia que Jônatas havia saído.
4Entre os desfiladeiros pelos quais Jônatas tentava passar em direção à guarnição dos filisteus, havia de um lado uma penha íngreme e do outro, outra; uma se chamava Bozez e a outra, Sené.
5Uma rocha se erguia ao norte, defronte de Micmás; a outra, ao sul, defronte de Geba.
6Disse, então, Jônatas ao seu escudeiro: Vem, passemos à guarnição desses incircuncisos; porventura, o Senhor nos ajudará, pois para o Senhor não há impedimento em livrar com muitos ou com poucos.
7E o seu escudeiro lhe disse: Faz tudo conforme o que está no teu coração; eis-me aqui contigo, a tua disposição será a minha.
8Disse, então, Jônatas: Eis que passaremos àqueles homens e nos daremos a conhecer a eles.
9Se nos disserem: "Parem até que cheguemos a vocês", então ficaremos onde estamos e não subiremos a eles.
10Se disserem: "Subam até nós", então subiremos, pois o SENHOR os entregou em nossas mãos, e isso nos servirá de sinal.
11Visto que ambos se revelaram à guarnição dos filisteus, disseram estes: Eis que os hebreus já saíram das cavernas em que se encontravam escondidos.
12Os homens da guarnição responderam a Jônatas e ao seu escudeiro, dizendo: "Subam até nós, e nós lhes daremos uma lição." E Jônatas disse a seu escudeiro: "Sobe atrás de mim, pois o SENHOR os entregou nas mãos de Israel."
13Então, Jônatas subiu de gatinhas, e seu escudeiro o seguia. Eles caíram diante de Jônatas, e seu escudeiro os matava atrás dele.
14E sucedeu que, nessa primeira derrota, Jônatas e seu escudeiro mataram cerca de vinte homens, em um espaço aproximado ao que um par de bois poderia arar.
15E houve grande espanto no acampamento, no campo e em todo o povo; também a mesma guarda e os saqueadores tremeram, e até a terra se agitou; pois era um terror de Deus.
16Os sentinelas de Saul, em Gibeá de Benjamim, olharam e viram que a multidão se dissolvia, correndo uns para cá, outros para lá.
17Disse então Saul ao povo que estava com ele: "Vão e verifiquem quem saiu de entre nós." Eles contaram e perceberam que nem Jônatas nem seu escudeiro estavam presentes.
18Então Saul disse a Aías: Traga aqui a arca de Deus pois naquele dia ela estava com os filhos de Israel.
19E aconteceu que, enquanto Saul ainda falava com o sacerdote, o alvoroço que havia no arraial dos filisteus aumentava continuamente. Então, Saul disse ao sacerdote: "Desista de trazer a arca."
20Então, Saul e todo o povo que estava com ele se reuniram e foram à batalha; e a espada de um era contra o outro, e houve mui grande tumulto.
21Também havia hebreus entre os filisteus, como antes, que subiram com eles ao arraial; e estes também se uniram aos israelitas que estavam com Saul e Jônatas.
22Ouvindo, portanto, todos os homens de Israel que se esconderam nas montanhas de Efraim que os filisteus haviam fugido, eles também os perseguiram de perto na batalha.
23Assim, o SENHOR livrou Israel naquele dia; e a batalha passou além de Bet-Aven.
24E os homens de Israel estavam angustiados naquele dia, porque Saul havia feito um juramento ao povo, dizendo: "Maldito o homem que comer pão até o anoitecer, para que eu me vingue de meus inimigos." Por isso, todo o povo se absteve de provar pão.
25E todo o povo chegou a um bosque onde havia mel na superfície do chão.
26E, ao chegar ao bosque, o povo encontrou um favo de mel; mas ninguém levou a mão à boca, pois temia a conjuração.
27Porém Jônatas não havia ouvido quando seu pai convocou o povo, e estendeu a ponta da vara que tinha na mão, molhando-a no favo de mel; e, ao levar a mão à boca, seus olhos brilharam.
28Então, um do povo respondeu: Teu pai fez um voto solene ao povo, dizendo: Maldito seja o homem que comer pão hoje; por isso, o povo estava exausto.
29Então, disse Jônatas: Meu pai perturbou a terra; olhem como os meus olhos se iluminaram por ter provado um pouco deste mel.
30Quanto mais o povo hoje tivesse se alimentado livremente do que encontrou do despojo de seus inimigos, não teria sido tão grande a derrota dos filisteus.
31Feriram, pois, naquele dia os filisteus, desde Micmás até Aijalom, e o povo estava extremamente exausto.
32Então o povo se lançou ao despojo, levando ovelhas, bois e bezerros, e os matou no chão, e o povo comeu com sangue.
33E informaram a Saul, dizendo: O povo peca contra o SENHOR, comendo sangue. Ele respondeu: Vocês agiram de maneira traiçoeira; tragam-me uma grande pedra.
34Disse Saul: "Espalhem-se entre o povo e digam-lhe: Que cada um me traga o seu boi e a sua ovelha, e matem-nos aqui. Comam, mas não pequem contra o SENHOR, comendo sangue." Então, toda a gente trouxe à noite, cada um com suas próprias mãos o seu boi e o sacrificaram ali.
35Então Saul construiu um altar ao SENHOR; este foi o primeiro altar que ele edificou.
36Depois, Saul disse: “Vamos descer esta noite atrás dos filisteus e despojá-los até o amanhecer; não deixaremos nenhum homem deles”. E responderam: “Faze tudo o que bem te parecer.” Porém, o sacerdote disse: “Aproximemo-nos de Deus aqui.”
37Então Saul consultou a Deus, dizendo: "Devo descer no encalço dos filisteus? Os entregarás nas mãos de Israel?" Porém, naquele dia Deus não lhe respondeu.
38Então, Saul disse: Aproximem-se aqui todos os líderes do povo, e informem-se, e vejam qual pecado foi cometido hoje;
39Porque tão certo como vive o SENHOR, que salva a Israel, ainda que seja em meu filho Jônatas, certamente morrerá. E nenhum do povo lhe respondeu.
40Disse ainda a todo o Israel: "Vós estareis de um lado, e eu e meu filho Jônatas estaremos do outro lado." Então o povo respondeu a Saul: "Faz o que te parecer bem."
41Então Saul falou ao SENHOR, Deus de Israel: "Revela quem é o inocente. Então Jônatas e Saul foram escolhidos por sorte, e o povo ficou livre.
42Então Saul disse: Lançai a sorte entre mim e Jônatas, meu filho. E foi tomado Jônatas.
43Disse então Saul a Jônatas: Declara-me o que fizeste. E Jônatas lhe respondeu: Tão-somente provei um pouco de mel com a ponta da vara que tinha na mão. Eis-me aqui; morrerei.
44Então disse Saul: Assim me faça Deus, e outro tanto, que com certeza morrerás, Jônatas.
45Porém o povo disse a Saul: Morrerá Jônatas, que efetuou tamanha salvação em Israel? Tal não suceda; vive o Senhor, que não lhe há de cair no chão um só cabelo da sua cabeça! Pois com Deus fez isso hoje. Assim, o povo livrou a Jônatas, para que não morresse.
46E Saul cessou a perseguição aos filisteus, e estes retornaram para a sua terra.
47Então Saul assumiu o reinado de Israel e lutou contra todos os seus inimigos ao redor: contra Moabe, os filhos de Amom, Edom, os reis de Zobá e os filisteus; e, onde quer que se voltasse era vitorioso.
48E lutou com bravura, feriu os amalequitas e libertou Israel das mãos dos que o saqueavam.
49Os filhos de Saul eram Jônatas, Isvi e Malquisua; e os nomes de suas duas filhas eram: o da mais velha, Merabe; o da mais nova, Mical.
50E o nome da mulher de Saul era Ahinoã, filha de Aimaás; e o nome do comandante do exército era Abner, filho de Ner, tio de Saul.
51E Quis era pai de Saul; e Ner, pai de Abner, era filho de Abiel.
52E houve uma intensa guerra contra os filisteus durante todo o tempo de Saul; por isso, Saul reunia a si todos os homens valentes e corajosos que encontrava.
Texto: Almeida Atualizada Livre — baseada na tradução de João Ferreira de Almeida de 1911 (domínio público), modernizada no projeto JFAAL. © Marcos Cristiano Alves Ferreira, licença CC BY 3.0 BR.